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PAPO RETO

by admin | Ago 12, 2026 | Uncategorized

A questão por trás dos PEDs não é técnica, mas de luta política!

Nos últimos tempos todos acompanhamos diversos textos que vem circulando, principalmente via whatsapp, e falam sobre a situação dos PEDs assassinos e também sobre as responsabilidades da situação precária em que somos colocados em vista dos absurdos descontos em nossas aposentadorias.

Destacar os elementos temporais dessa situação é muito relevante, vistas todas as mudanças que a Petros passou desde a sua fundação, no ano de 1969. Contudo, é bastante improvável que tenhamos sucesso em nosso pleito de recomposição da aposentadoria, com o fim dos descontos, meramente através de revisões de decisões administrativas ou minúcias jurídicas.

Precisamos ter bastante clareza na leitura da situação para que possamos responder de forma organizada. A ascensão do modelo de gestão financeirizada das empresas estatais (sejam de economia mista ou de controle 100% estatal), adaptado às demandas do mercado, é uma decorrência das políticas econômicas neoliberais das últimas 3 décadas, que jogam sobre os trabalhadores e aposentados o peso dos ajustes necessários ao aumento da remuneração de acionistas. E isso é apenas parte do problema.

No caso dos aposentados, o ataque a previdência pública geral dos trabalhadores está no cerne da questão e foi iniciado bem antes. A própria existência da Petros é um exemplo disso. A dinâmica de gestão de fundos previdenciários do tipo se alastrou por diversas categorias e, com isso, arrasta também lideranças cooptadas que, mesmo que estivessem todas bem intencionadas, tem que entrar na ciranda da financeirização do capitalismo que transforma a gestão do Estado para garantir a “saúde” do próprio sistema financeiro e não o bem estar dos aposentados.

Temos acordo com questionamentos que levantam que a questão não pode ser reduzida a palavras de ordem como “PETROBRAS, PAGUE SUA DÍVIDA!” ou debates sobre “MIGRAR OU NÃO MIGRAR?”. Entretanto, depositar as esperanças em “auditorias técnicas” não irá reverter um processo que é mais amplo do que a questão previdenciária de nossa categoria, vista de forma isolada. A questão não é técnica, mas sim um elemento de luta política.

Devemos lutar para que a Petrobras pague a sua dívida, mas isso teria também um efeito temporal limitado. Em quantos anos a categoria teria novamente o mesmo problema? Devemos lutar desde já por um modelo de previdência pública que proteja de fato o padrão de vida de quem contribuiu por toda uma vida e não pode ser rifado em meio a planilhas com boa fundamentação técnica, mas que tem essa técnica servindo a interesses alheios aos dos aposentados.

Mais do que buscar planilhas e possíveis “erros de gestão” na Petros, devemos construir lutas unitárias para reverter reformas previdênciárias das últimas décadas e as limitações dos benefícios para os quais contribuímos disciplinadamente por toda uma vida. Lideranças que não tenham tocado a luta política em defesa da categoria devem ser cobradas, mas nossa cobrança deve ser muito mais ampla e dura, não se atendo apenas a aspectos “técnicos”. Só a luta pode conquistar o fim dos PEDs!

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