FALA PRESIDENTE
O movimento sindical petroleiro no Brasil deve ser solidário ao povo cubano
Após os recentes ataques do Governo dos EUA à América Latina, que tiveram seu ponto mais destacado no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, os tensionamentos na conjuntura latino-americana se acirraram. O novo momento de agressões imperialistas foi demonstrado no fortalecimento do cerco econômico montado contra Cuba e seu povo, visando proibir quaisquer países de comercializarem petróleo com a ilha. Além disso, seguem no ar as ameaças abertas contra lideranças políticas da Colômbia e do México.
Essa conjuntura, de intensa disputa entre as potências globais por rotas de comércio, acesso a mercados e pelo controle de matérias-primas, vem colocando novamente o petróleo no centro dos debates latino-americanos. É, portanto, uma necessidade imposta pela conjuntura que o movimento sindical petroleiro no Brasil esteja atento e organizado para responder aos desafios que são colocados para a classe trabalhadora, à nível internacional, em meio às agressões aos povos latino-americanos que vem sendo desferidas pelo governo Trump.
Cuba é um grande exemplo de solidariedade entre os povos em nosso continente. E justamente por levantar tais valores se torna um alvo do governo estadunidense. Além da construção de projetos de erradicação do analfabetismo, que partilham os acúmulos da experiência de seu povo com povos da América Latina e de África, na área da saúde a ilha caribenha se notabilizou mundialmente pelo envio de médicos que passaram a tratar majoritariamente trabalhadores pobres das periferias e favelas do mundo. Cuba também acolheu, entre as décadas de 60 e 80 do século passado, diversas lideranças sindicais e populares exiladas, vindas de toda a América, que eram perseguidas pelas ditaduras apoiadas e patrocinadas pelo Governo dos EUA.
Em relação ao Brasil, também nas últimas décadas, isso não foi diferente. No auge de sua participação no Programa Mais Médicos, mais de 11 mil médicos cubanos foram às periferias e interiores do nosso país para garantir tratamento médico a trabalhadores brasileiros pobres. Tais vagas, abertas no âmbito do programa do Governo Federal, não haviam sido preenchidas por brasileiros por falta de interesse de grande parcela da categoria de médicos. São abundantes os relatos das experiências positivas de pequenas cidades que passaram a ter médicos com a experiência necessária na atenção primária e de contato junto aos trabalhadores pobres.
A necessidade de mobilização em solidariedade ao povo cubano por parte dos petroleiros brasileiros se dá, principalmente, pelo fato de o Governo dos EUA buscar estrangular economicamente um país que não se dobra a sua política externa. Os mandamentos de Washington buscam punir a ousadia do país em buscar a independência de suas políticas. O cerco ao petróleo comercializado com os cubanos busca criar apagões generalizados no país caribenho, deixando suas cidades às escuras. O bloqueio criminoso, que vem se acirrando, busca sabotar o funcionamento de hospitais, aeroportos, escolas, universidades, hotéis, pequenas indústrias e causar um colapso na ilha socialista.
O que vemos aqui é uma medida de guerra contra um povo. E a centralidade da produção energética baseada em petróleo, como é o caso no contexto cubano, coloca a tarefa a nós, enquanto petroleiros aposentados, anistiados e da ativa, ou mesmo enquanto pensionistas, de agirmos para pressionar o Governo do Brasil e a Petrobras a tomarem uma posição firme e solidária a todos os povos que sofrerem tal tipo de cerco e de guerra econômica.
O suor dos trabalhadores petroleiros no Brasil já nos consolidou enquanto oitava nação com a maior produção de petróleo no mundo. Algumas projeções, inclusive, apontam que o Brasil deverá entrar para o top 5 de maiores produtores de petróleo na próxima década. As perguntas que devemos seguir nos fazendo são duas: 1) A quem deve servir essa capacidade extraordinária de produção?; e 2) Qual o papel do movimento petroleiro na definição dos rumos da Petrobras em meio às ameaças de guerras imperialistas no mundo?
Nas últimas décadas a Petrobras vem, de forma consistente, tomando o rumo de servir aos interesses de acionistas e ao mercado financeiro. Esse rumo está atrelado diretamente aos interesses do capital de especuladores baseados nos EUA e protegidos por seu governo. As pressões do governo de Trump sobre o governo brasileiro para assumirem a exploração das chamadas “terras raras” no Brasil são apenas mais um aspecto da política estadunidense de cerco a todas as matérias-primas produzidas na América Latina. As pressões que visam o controle de nossas reservas de petróleo e água certamente se intensificarão.
As diversas declarações de integrantes do governo Trump, que colocam os países latino-americanos enquanto “quintal” dos EUA, não permitem que dúvidas sejam lançadas sobre as intenções de interferência também em nosso país. A questão não é “se” irão vir pra cima de nós, mas “quando” e “como” virão. Derrotar a política de guerra econômica em curso, já acionada contra a Venezuela e Cuba, é a forma real de afirmação de soberania para o povo brasileiro. Não podemos esperar chegar a nossa vez nessa fila de interferências e agressões.
O movimento petroleiro, a partir de suas bases, deve pressionar ambas as Federações para assumirem uma posição de combate anti-imperialista e de solidariedade ativa a esses povos agredidos. Essa movimentação deve ter o firme direcionamento de buscar unificar todos os trabalhadores brasileiros nesse sentido e, a partir disso, forçar a alteração de rumo da política externa do Governo Lula e da Petrobras, que seguem calados e coniventes frente a esses absurdos. O Brasil deve ter posição ativa na construção de uma unidade latino-americana frente às agressões em curso e garantir o envio de petróleo a Cuba, através da Petrobras, a fim de evitar uma tragédia humanitária na ilha.
