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by admin | Jun 16, 2026 | Uncategorized

Devemos defender o Pix, as terras raras e o petróleo! Soberania não se negocia!

A ação recente do governo dos EUA, atualmente comandado por Donald Trump, em atacar o Pix e ameaçar novas taxas de 25% contra o Brasil reacendeu o debate público sobre a soberania em nosso país. As novas ameaças do presidente estadunidense contra o Brasil ocorreram logo após seu encontro com o senador e presidenciável brasileiro, Flávio Bolsonaro, em Washington, D.C., na Casa Branca.

No encontro, para além do pedido de apoio a um presidente estrangeiro à sua campanha, o senador brasileiro também fez um chamado para que o presidente estadunidense aumentasse a carga por intervenção do Governo dos EUA em assuntos internos brasileiros, como o necessário combate ao crime organizado. O pedido de classificação de determinadas facções como terroristas concede, pela legislação estadunidense, o direito de seu governo impor sanções contra outros governos e empresas, além de justificar a realização de ações militares de suas próprias forças armadas em todo o mundo. A medida restringe as capacidades de cooperação entre as polícias dos países, transferindo o assunto para a órbita militar e de operações secretas sob responsabilidade da CIA, a agência de inteligência estadunidense. Nesse sentido, são reforçadas as capacidades de pressão política e militar do Governo dos EUA sobre o Brasil.

Não vivemos em um momento qualquer da história e muito menos em um território livre das ingerências e agressões imperialistas dos EUA. Em abril de 2025 o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em comentário sobre as crescentes relações econômicas entre economias latino-americanas com a China afirmou categoricamente: “O Presidente Trump disse ‘não mais’, vamos recuperar o nosso quintal“. Meses depois o presidente venezuelano foi sequestrado por militares estadunidenses, em Caracas, e Trump segue buscando interferir em eleições a na política interna para garantir marionetes completamente alinhadas a seus interesses nos territórios que considera como quintal dos EUA. E isso é particularmente claro nos casos de países sul-americanos.

A tentativa de utilizar correntes políticas internas de países para desestabilizar governos e defender os interesses econômicos estadunidenses não é nova em nosso país. Nos dias atuais, os ataques ao Pix são, na verdade, ataques ao meio de pagamento público, livre de taxas e mais popular no Brasil e que concorre contra os cartões de crédito e débito de bandeiras Mastercard e Visa, ambas sendo corporações privadas sediadas nos EUA. No Brasil as transações via Pix já superam a soma de todas as transações em cartões de crédito e débito, boletos, TED, cartões pré-pagos e cheques. O Pix caminha também para superar, até 2030, o volume de dinheiro que movimentam os cartões de crédito e débito em transações comerciais no país. Pouco mais de 5 anos após o seu lançamento, o Pix já é responsável por 42% do volume transacionado no varejo online e 34% nas lojas físicas, contra os 44% e 40%, respectivamente, que correspondem a fatia tomada pelos cartões de crédito e débito somados no país. Considerando todas as movimentações financeiras, para além das transações comerciais, o Pix movimentou R$ 35,36 trilhões contra os R$ 4,5 trilhões das modalidades de cartões (débito, crédito e pré-pago) em 2025. A disputa por esse mercado, que movimenta dezenas de trilhões de reais anualmente, é o que direciona as ações do imperialismo estadunidense nesse caso.

As pressões e as tarifas do Governo dos EUA visam também aumentar seu controle sobre as matérias-primas que o Brasil produz, como petróleo, terras raras e minerais críticos. Da mesma forma que devemos denunciar a postura do Governo Lula em aceitar as negociações com o Governo Trump nos termos que estão postos, rebaixando a luta por soberania à conversas amistosas e uma “química” com quem busca agredir economicamente o país, devemos também enfrentar firmemente as correntes entreguistas de nossas riquezas e do suor do trabalho dos brasileiros. É necessário lutar pela integração das lutas em defesa do Pix, pela derrubada da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que dá “segurança jurídica” para a exploração dos mesmos por capitais estrangeiros, e pela retomada pela Petrobras de todos os seus ativos privatizados nas últimas décadas.

O entreguismo não tem uma única forma em nosso país, mas, definitivamente, o que podemos ver em todos esses casos é o prejuízo sobre os trabalhadores e a tentativa de garantir os lucros de capitais estrangeiros contra o interesse nacional e soberano que devemos defender. Soberania nacional não se negocia! A América Latina não é o quintal dos EUA e os entreguistas devem ser enfrentados e punidos pelos trabalhadores brasileiros!

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