Como podemos fazer avançar nossas lutas no presente?

A diretoria da ASTAPE/RJ vem, nos últimos meses, buscando aprofundar uma análise de conjuntura que nos permita conseguir avaliar o cenário político brasileiro, com destaque para a organização das lutas dos trabalhadores, aposentados e pensionistas da Petrobrás, e sob quais condições podemos fortalecer nossas pautas em defesa da anistia enquanto trabalhadores que lutam por seus direitos. Seguem alguns desses elementos.

A nível internacional, o cenário de conflitos vem se acirrando mundialmente por meio de conflitos armados e guerras tarifárias. As disputas imperialistas, encabeçadas por EUA e China, vem se expressando em uma luta global pela hegemonia sobre mercados, rotas comerciais, territórios e matérias-primas em todo o planeta. São exemplos particulares dessa guerra comercial: a guerra aberta entre Rússia e OTAN na Ucrânia; a tentativa de imposição de um genocídio por Israel ao povo palestino, que resiste bravamente em luta por sua existência; os bombardeios dos EUA ao Irã; as ameaças de intervenção militar trumpista sobre Venezuela, Colômbia e o Mar do Caribe; e, no caso do Brasil, a imposição de tarifas que visam dobrar o país em meio a “negociação” de terras raras, da regulamentação das big techs e da pressão pela adesão à política estadunidense que visa alargar o conceito de terrorismo, facilitando intervenções econômicas e militares dos EUA em nosso país.

Isso coloca, para nós trabalhadores, a necessidade de fortalecer lutas a nível nacional, com independência de classe, que permitam avanços de direitos dos trabalhadores, mas levando também em consideração a necessidade de fortalecimento das capacidades logísticas, de defesa, de geração de empregos de qualidade e de soberania energética do país em meio ao conflituoso cenário mundial. Em todos esses “campos” o papel da Petrobrás é central.

É luta de primeira hora a questão da reversão da privatização dos ativos da Petrobrás que foram entregues ao capital privado (nacional e estrangeiro) nos últimos anos. É necessária a retomada pela Petrobrás das refinarias e de suas subsidiárias que foram privatizadas! Vitórias nesse sentido seriam estratégicas, pois determinariam um grande impulso também em lutas pela reestatização da Eletrobras e da Eletronuclear, empresas essenciais a nossa soberania energética.

Sabemos, contudo, que o cenário que se apresenta para tais lutas é difícil. Mesmo com a vitória eleitoral sobre o bolsonarismo em 2022, impulsionada por grande parte de nossa categoria, o Governo Lula não assumiu tais pautas como prioridade. A gestão da Petrobrás, indicada pelo presidente, vem se colocando como mais uma barreira às lutas dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, vem beneficiando exclusivamente as demandas dos acionistas, demonstrando a adesão governista às lógicas de ajuste fiscal e de financeirização neoliberais, enquanto deslegitima e busca desorganizar os espaços de negociação junto às Federações e aos sindicatos da categoria.

Em Duque de Caxias, se já não temos, enquanto classe, o mesmo nível de enraizamento de organização dos trabalhadores de décadas passadas para romper essas barreiras, a ASTAPE/RJ pode cumprir um papel importante no resgate de experiências organizativas de trabalhadores e das difíceis lutas travadas na refinaria, particularmente as ocorridas nos primeiros momentos e durante toda a ditadura. Cabe a nós o esforço de destacar como esses exemplos do passado podem iluminar caminhos – à luz da experiência acumulada e testada sob os anos de chumbo – às novas gerações em disputa pelo futuro dos trabalhadores em nosso país.

O resgate da memória operária em Duque de Caxias, iniciado a partir das lutas que tocamos na REDUC, pode ser um caminho promissor para darmos um novo respiro às nossas lutas pela anistia política dos trabalhadores perseguidos pela ditadura. Nossas vitórias devem ser construídas na luta! É dessa forma, buscando a construção da unidade e luta com movimentos que também carregam as palavras de ordem de memória, verdade, justiça e reparação – que vem sendo colocadas em prática há décadas por nossos associados –, que poderemos contribuir diretamente para aglutinar movimentos e organizações de trabalhadores em luta em nosso Estado.