Em memória da Coluna Prestes
A Coluna Prestes completou, neste ano de 2025, 100 anos. Trata-se de um evento dos mais emblemáticos da história brasileira e uma epopeia militar extraordinária, maior que a de Alexandre da Macedônia ou a Grande Marcha de Mao Tse Tung, uma vez que as tropas comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes e composta por tenentes insurgentes e rebeldes populares que se incorporaram à luta, enfrentaram as tropas melhor armadas e muito mais numerosas do então presidente Artur Bernardes, ao longo de 25 mil quilômetros, do Sul ao Norte, do Nordeste ao Centro-Oeste do país, numa guerra de guerrilhas invicta, entre os anos de 1925 e 1927. A coluna insurgente saiu do interior do Rio Grande do Sul, incorporou os tenentes sublevados de São Paulo, percorreu o país inteiro desafiando as forças oligárquicas da República Velha e, nessa trajetória pelo Brasil profundo, escreveu na memória nacional um dos mais belos capítulos da luta popular por justiça social e liberdade.
Portanto, celebrar o centenário da Coluna Prestes deve ser entendido não apenas como um evento militar, mas especialmente como um episódio importante para compreender o Brasil daquela época (e ainda hoje), marcado pelo coronelismo, pelos latifundiários, pelas desigualdades e miséria da imensa maioria da população. Seu legado continua muito atual porque encarnou valores que ainda são muito atuais, tais como a luta pelas transformações sociais, o combate à oligarquia, ao latifúndio, à corrupção e ao autoritarismo dos grupos conservadores, bem como a defesa da soberania nacional e popular. Celebrar este centenário da Coluna é também recordar que o povo brasileiro, em condições muito mais difíceis que atualmente, se levantou contra a opressão e, portanto, pode novamente contestar a ordem estabelecida. É também lembrar que a população pobre da caatinga, dos sertões, do planalto foi capaz de apoiar a coragem e a dignidade daqueles revolucionários que, através da luta popular armada, decidiram enfrentar os poderosos e buscar uma pátria livre e democrática.
Um século depois, a Coluna Prestes permanece como um desses raros acontecimentos que não envelhecem porque foi capaz de revelar o nervo exposto da sociedade brasileira da época, não só em relação à miséria das grandes massas, mas também sobre o poder dos grandes proprietários, a manipulação política das elites regionais, a violência contra os pobres e a ausência histórica de direitos para a maioria da população.
Fonte: Edmilson Costa (autor) / texto completo no site do PCB
